Estudos
A endoterapia

    Por definição, injeção em caule (endoterapia) é uma técnica por meio da qual os defensivos são aplicados diretamente no interior do estipe e, quando dentro dos vasos condutores, são translocado pelo sistema fisiológico da planta. Por meio desta técnica, podem ser aplicados também fertilizantes.

Endoterapia VS Pulverização

     A endoterapia comparativamente a pulverizações convencionais tem muitas vantagens, quais sejam: i) possibilita sua aplicação naquelas árvores que pela sua altura, localização ou difícil acesso, dificulta a realização dos tratamentos convencionais, ii) o tratamento não se limita a mudanças sazonais, iii) podem se utilizar níveis mais altos do ingrediente ativo disponível, iv) riscos de desenvolvimento de resistência ao inseticida é reduzido em comparação a outros métodos de controle, v) método de aplicação simples e de baixo custo, vi) diminui a poluição ambiental, podendo ser utilizado tanto em áreas rurais como urbanas, vii) proporciona uma maior persistência do produto no interior da árvore, ampliando o período de eficácia dos tratamentos, viii) injeção com inseticida não deixa resíduos a ponto de contaminar águas subterrâneas a exemplo de pulverizações foliares e solo, ix) não há perigo de lixiviação em períodos de elevada precipitação e x) inseticidas aplicados via injeção não eliminam minhocas e outros invertebrados do solo a exemplo das pulverizações convencionais.

"Em vários países da América, África e Ásia, o uso de injeção em dendezeiros e coqueiros é uma estratégia que vem sendo praticada por mais de 40 anos e, até a presente data, não há relatos na literatura que comprometem o uso da injeção. Ademais, o uso de um duto para veicular o defensivo para o interior do estipe quando devidamente fechado, certamente servira também de barreira física para determinados patógenos quando veiculados pelo vento e água." José Inácio Lacerda Moura Pesquisador Ceplac-Cepec Eng. Florestal; Doutor em Entomologia agrícola

Resultados pelo mundo

    Nos estados norte-americanos da Pensilvânia, Massachusetts e Connecticut, o recurso da injeção no tronco de árvores encontra-se em expansão, com pouco ou nenhum efeito sobre a madeira e um alto grau de aceitação social. Esse recurso, juntamente com a rentabilidade potencial comercial da técnica sugere que as injeções no tronco passarão a ser considerado como um tratamento alternativo para as árvores infestadas ou ameaçadas por pragas e doenças.

    Na Austrália, injeção de imidacloprido [1-(6-chloro-3-pyridylmethyl) - Nnitroimidazolidin-2-ylideneamine] a 20% foi utilizada no combate ao percevejo Thaumastocoris peregrinus (Hemiptera: Thaumastocoridae) sobre plantios de eucalipto (Eucalyptus spp.), em áreas urbanas. Também o percevejo Corythucha ciliata (Hemiptera: Tingidae), praga do Platanus occidentalis, é eficientemente controlado com injeção de imidacloprido. Nos Estados Unidos, o pulgão Adelges tsugae (Hemiptera: Adelgidae), uma severa praga do abeto (Tsuga spp.) tem sido eficientemente controlado com injeção de imidacloprido a 5%.

    No sudeste dos Estados Unidos, as injúrias causadas pela traça das ponteiras (Rhyacionia frustrana) reduz o crescimento de Pinus taeda. O controle com inseticidas tradicionais é difícil em razão das várias gerações anuais e infestações plurianuais. Em razão disso, os inseticidas imidacloprido e fipronil (trifluorometilsulfi-nil) -1H-pirazole-3-carbonitrilo) foram testados em aplicação via injeção no tronco. Após dois anos, os resultados experimentais mostraram que as árvores tratadas com os inseticidas apresentaram resultados modestos comparativamente com a testemunha. No entanto, os resultados mostraram que as árvores tratadas com em relação às não tratadas os inseticidas tiveram significativamente maior índice volumétrico por bloco. Já árvores tratadas tiveram maior índice de sobrevivência, pois os inseticidas injetados também controlaram Hylobius empalidece, curculionídeo praga do P. taeda.

    No Japão, estudos revelaram três anos de proteção em pinheiros contra o nematoide Bursaphelenchus xylofilus depois de injetar uma formulação líquida de benzoato de emamectina.

    Nos EUA, foi relatado que benzoato de emamectina proporcionou dois ou mais anos de proteção contra pragas de lepidópteros e coleópteros, incluindo Dioryctria, Dendroctonus frontalis e Agrilus planipennis em pinheiros .

    Nos Estados Unidos o uso da endoterapia para controlar duas importantes pragas da macieira (Malus domestica) foram conduzidos. Nesse experimento, utilizaram o imidacloprido e benzoato de emamectina para o controle da cigarrinha Empoasca fabae (Hemiptera: Cicadellidae) e a lagarta da mariposa oriental Phyllonorycter blancardella (Lepidoptera: Gracillariidae). Os inseticidas foram veiculados via injeção no tronco e atuaram de forma significativa sobre essas duas pragas. De acordo com esses autores, o longo período que o resíduo de ambos defensivos permaneceu no interior da planta, permitiu o controle de outras pragas também. Assim, uma vez que ele é introduzido no sistema vascular, o inseticida é depositado nas regiões apoplástica e simplástica da planta. Em razão a isso, o inseticida não sofre degradação pelos raios ultravioleta e intempéries a exemplo das pulverizações convencionais. Por outro lado, os resíduos de imidacloprido e benzoato de emamectina nos frutos da macieira não foram detectados nas análises de cromatografia.

    Na Itália, o uso de fosfito de potássio para controlar o fungo Phytophthora cinamoni sobre castanheiras (Castanea sativa Miller). As aplicações do fungicida foram via pulverização foliar e através de injeção. O tratamento com injeção de fosfito foi mais eficiente que pulverizações. O tratamento com injeção só não teve efeito sobre aquelas plantas fortemente atacadas pelo fungo. Os resultados mostraram ainda que o fosfito via injeção tem ação preventiva e curativa nos estágios inicias da doença

 
No Brasil

    No Brasil, no município de Una-BA, a eficiência do fungicida Ciproconazol no controle de doenças foliares e no aumento da produtividade do coqueiro foi determinado. O experimento foi conduzido nos anos de 2014 a 2015, com plantas da variedade Anão Verde do Brasil com 20 anos, recebendo uma adubação convencional. Estas plantas estavam naturalmente infectas pelas lixa-pequena, lixa-grande e a queima-das-folhas. O tratamento utilizado foi a aplicação no tronco, de 10 ml do fungicida Ciproconazol, repetidas três vezes. Observou-se o que número de folhas funcionais, quando comparados a testemunha aumentou em média de 15,24 para 20,12 enquanto o incremento da produtividade média foi de 38,4 frutos/planta/ano, correspondendo a 57,8% em relação às plantas não tratadas.

ANALISE CRITICA

   As doenças foliares lixa e queima-das-folhas do coqueiro são doenças endêmicas e ocorrem ao longo de todo o ano no sul da Bahia e, em razão disso, os furos no estipe também terão que ser contínuos, ou seja, duas vezes ao ano os coqueiros deverão receber duas doses de fungicida sistêmico. Desse modo, quanto maior o tempo que o orifício permanece permeável a defensivos, menor serão o número de furos no estipe. Estudos em andamento tem mostrado permeabilidade a água por até 14 meses.